Edifício Olinda

O Bem: “Edifício Olinda”

O edifício Olinda é um ícone da Rua 14 de Julho, edificado em   localização privilegiada – Avenida Afonso Pena esquina com a Rua 14 de Julho, e representa o início da verticalização da cidade. Foi concebido em estilo Art Déco como o primeiro “edifício alto” de Campo Grande distribuído em um térreo, mais quatro pavimentos e uma cobertura, totalizando cinco pavimentos.

Foi projetado para abrigar principalmente salas de escritórios, que foram distribuídas ao longo dos cinco pavimentos e, no térreo, uma imensa loja comercial de esquina no mais disputado ponto de Campo Grande.

Essa modalidade de salas comerciais, presente também em outros prédios da época, como por exemplo: o Edifício José Abrão (1939) e o Edifício Nacao (1948), estava sendo construída para atender a uma nova demanda que aparecia na cidade: profissionais liberais em busca de novos mercados – contadores, engenheiros, agrimensores, médicos.

Um detalhe importantíssimo desse edifício é a presença do elevador, o primeiro em Campo Grande. Esse fato se constituía em um verdadeiro avanço em direção à modernidade, considerado à época. O elevador atendia todos os pavimentos e, segundo Paulo Coelho Machado, em seu livro ‘A Rua Principal’, consumia significativa quantidade de energia elétrica.

No grande salão comercial do pavimento térreo, no fim da década de 1940, se instalou o Bar Cinelândia e, muito próximo dali, se localizava o Cine Alhambra, o que movimentava intensamente o trecho, local de muitas alegrias e tristezas, início e fim de romances, de histórias e tragédias.

O bem é legalmente protegido pelo Município de Campo Grande.

14 de julho decada de 50 (4)

Rua 14 de Julho – década de 1950

Projeto

O projeto do prédio é do engenheiro Otávio Mendonça de Vasconcelos. Nascido em Belém do Pará no ano de 1893, formou-se engenheiro na Escola Politécnica da Bahia em 1920 e chegou em Campo Grande em 1937.

Logo após sua chegada, assumiu a responsabilidade técnica da empresa de construção Thomé & Filhos, em substituição a Frederico Urlass, tornando-se um dos grandes construtores e projetistas de Campo Grande do final dos anos 1930. Permaneceu na empresa entre os anos de 1940 e 1950, vindo a falecer em 1964.

Já a execução do imóvel foi feita pelo engenheiro Amélio Carvalho Baís. Nascido em 22 de fevereiro de 1905, foi o primeiro campo-grandense nato a se tornar engenheiro construtor em Campo Grande. Filho de Bernardo Franco Baís e Amélia Alexandrina de Carvalho Baís, teve muitos irmãos, dentre eles destaca-se a figura de Lydia Baís, artista plástica cujos trabalhos estão expostos na Morada dos Baís.

Amélio estudou engenharia no Instituto Mackenzie e formou-se em 11 de Janeiro de 1930, casou-se com Madalena Ferraz com quem teve dois filhos e foi um importante construtor de sua época. Concebeu projetos importantes tais como: as torres da Igreja São José, a casa de Lydia Baís, (década de 1930) na rua XV de Novembro 230, e muitas outras edificações, inclusive na Rua 14 de Julho.

Em 1947, executou um projeto do engenheiro Otávio Mendonça de Vasconcelos que veio a ser o primeiro “edifício alto” de Campo Grande, o edifício Olinda. Também executou muitos projetos do arquiteto Frederico Urlass, como por exemplo: a construção do Cine Alhambra (1937), construção do prédio das Casas Pernambucanas (1939).

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Edifício Olinda – década de 1950

Ficha técnica:

Edifício Olinda – Rua 14 de Julho n°1849

Projeto do engenheiro Otávio Mendonça de Vasconcelos.

Execução do engenheiro Amélio Carvalho Baís.

Empreendedor: Nemtalla Sadala.

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Edifício Olinda – Bar Cinelândia, 1949

O que acontecia no mundo quando o Edifício Olinda foi construído

O ano de 1947 é marcado pelo fim da Era Vargas, a volta da democracia e a reorganização socioeconômica pós-Segunda Guerra Mundial. Isso incluía aportes externos para financiar a modernização de nossa economia;

Em 1947, ocorreu um dos casos mais famosos e intrigantes da ufologia mundial, em Roswell – Novo México – Estados Unidos. Conta-se que um objeto voador não identificado – OVNI – teria caído. A notícia causou rebuliço na cidade. Mesmo que a história tenha sido desmentida pela imprensa, afirmando que os restos eram apenas de um balão meteorológico, o caso deu origem a inúmeras teorias da conspiração;

O ilustrador Carl Barks dos estúdios Disney cria o Tio Patinhas “o pato mais rico do mundo”. Sua primeira aparição se deu em dezembro de 1947, no quadrinho “Natal nas Montanhas”, já como o tio rico e avarento do Pato Donald;

Em março de 1947, o Paraguai estava vivendo uma Guerra Civil e o então Estado de Mato Grosso, fronteiriço com o Paraguai, foi destino para muitos desses imigrantes;

O Museu de Arte de São Paulo – MASP – foi fundado por Assis Chateaubriand em 2 de outubro de 1947. Foi o primeiro museu moderno no país. Chateaubriand convidou o crítico e marchand italiano Pietro Maria Bardi para dirigir o MASP, e Lina Bo Bardi para desenvolver o projeto arquitetônico e expográfico;

Mato Grosso promove um incentivo à agricultura mecanizada e ao aprimoramento da pecuária, até então extensiva e rudimentar, na qual Campo Grande ainda possuía sua economia completamente alicerçada;

A palavra de ordem era “modernização”. Fernando Corrêa da Costa se torna o primeiro prefeito eleito após a Ditadura de Getúlio Vargas e prolonga o asfaltamento da Rua 14 de Julho até a Avenida Mato Grosso.

Pesquisa

Pesquisadora: Luciana

Coordenador de pesquisa – Fernando Batiston – Sectur/Campo Grande

Fotos: Arquivo Histórico de Campo Grande – ARCA